1964, 50 anos depois: memória e reflexão

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Na madrugada do dia 31 para o dia 01 de abril de 1964, um golpe derrubou o presidente João Goulart do poder no Brasil. Hoje, 50 anos depois, o país vive uma intensa semana de debates, reflexões, disputas de memória.

Se a ditadura brasileira é intensamente discutida, o mesmo não se pode dizer do Golpe de 1964. Existem diversos trabalhos sobre a crise do governo Goulart, outros muitos sobre os 21 anos de autoritarismo. Porém, é fato que ainda faltam análises profundas sobre o ato em si. Seu apoio, tão heterogêneo, e sua oposição, também tão diferenciadas, permanecem como questões que intrigam aquele período.

Uma das grandes questões que se mantém é: por que não houve resistência? Por que Goulart e seus apoiadores não resistiram? Por que a esquerda não resistiu?

O golpe, em si, foi rápido, a vitória golpista foi rápida e eficiente. O forte apoio de setores civis, como políticos e empresários, certamente garantiu esta consolidação. Entretanto, não demorou muito para parte dos que em um primeiro momento apoiaram se arrependerem e serem eles mesmos cassados pelo novo regime, caso de Carlos Lacerda, do Rio de Janeiro.

O período é ainda marcado por muitas dúvidas e disputas. Nas próximas semanas, usarei este espaço para discutir algumas destas questões. Hoje, acredito que devemos mais que nada refletir e manter sempre a certeza do “Nunca Mais”!

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Author: Livia

Possui graduação e licenciatura em História pela Universidade Federal Fluminense (2005), com trabalho de finalização de curso "As propostas de nação contidas na obra Conflicto y armonía de las razas en America de Domingo Faustino Sarmiento". Mestre em Estudios Latinoamericanos pelo Centro de Estudios Latinoamericanos da Universidad Nacional de San Martín, Argentina (2008). Título da Dissertação: "Trece jugadores en campo. Medios de comunicación, dictaduras militares y Mundiales de Fútbol en Brasil y Argentina". Doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense (2013) Título da tese: "Com a taça nas mãos: sociedade, Copa do Mundo e ditadura no Brasil e na Argentina". Foi pesquisadora temporária do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), responsável pelo projeto "Diplomacia do Esporte". Em 2010 publicou o livro "Histórias do Futebol"; pelo Arquivo Público de São Paulo, primeiro volume da Coleção Ensino e Memória. Escreve no blog Clube da Bolinha, por Luluzinhas, premiado e publicado como livro em 2011.

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